quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Mais de 8% da população da Alemanha é de estrangeiros

Boa qualidade de vida, salários acima da média e educação de bom nível fizeram da Alemanha um forte pólo de atração de imigrantes. Não apenas nos grandes centros, mas também em cidades médias e até pequenas, é notável o caldeirão cultural em que se transformou o país com sua recuperação econômica após a II Guerra Mundial. A vinda maciça de estrangeiros começou por iniciativa do governo alemão na década de 50. Diante da falta da mão-de-obra, principalmente para serviços pesados, como nos ramos de construção civil e mineração, a solução foi firmar acordos internacionais a fim de atrair operários de fora para trabalharem no país.
O número de estrangeiros vivendo na Alemanha é de quase 7 milhões, o que representa 8,2% da população, segundo dados de 2005 do Departamento Federal de Migração e Refugiados da Alemanha.
O maior grupo de imigrantes é o dos turcos que são cerca de 26,1% dos estrangeiros sendo que em cidades como Frankfurt esse número chega a um terço da população. Em seguida, vêm os italianos (8,0%), seguidos dos sérvios e montenegrinos (7,3%), poloneses (4,8%) e gregos (4,6%). Como a chegada de imigrantes é um processo que já dura décadas, houve muitos pedidos de naturalização e casamentos entre estrangeiros e nativos, que geraram novas gerações de alemães com histórico de imigração. Estima-se, por exemplo, que haja mais de 415 mil cidadãos alemães que tenham alguma raiz turca em sua árvore genealógica.
O acolhimento dessa grande quantidade de estrangeiros com estilos de vida tão diferentes é um desafio permanente para a sociedade alemã, que debate constantemente como alcançar um convívio mais harmonioso. Culturalmente, no entanto, elementos vindos de fora têm produzido resultados muito interessantes. Na culinária, por exemplo, pode-se dizer que a salsicha deixou de ser o lanche rápido mais vendido nos quiosques espalhados pela Alemanha. Em seu lugar, pode-se saborear em quase qualquer esquina o “döner kebab”, um sanduíche inventado por imigrantes turcos em Berlim feito com carne fatiada e vegetais.
Além disso, dezenas de artistas de origem estrangeira se destacam na televisão, no cinema, no teatro e nas artes visuais. Um bom exemplo é o diretor turco-alemão Fatih Akin, que em 2004 faturou o Urso de Ouro do Festival de Berlim com o longa-metragem Contra a Parede. Na literatura, pode-se citar o escritor e jornalista moscovita Wladimir Kaminer, que em 1990 emigrou para a Alemanha e em 2000 estourou com o best-seller “Russendisko”, uma coleção de contos bem-humorados sobre o cotidiano de imigrantes russos no país. Apesar de ter emigrado já adulto, Kaminer não escreveu o livro em sua língua materna, mas em alemão.

Matéria de Dennis Barbosa - 14/02/2007 - Site www.alemanja.org

3 comentários:

Anônimo disse...

dos 8%, pelo menos uns 2% devem ser de pomerode.
bj srta riffel

André disse...

Talvez se formos pegar a seleção alemã de futebol, o fenômeno se manifeste com mais força que na própria população da terra de Göethe em geral. Tudo bem que há os naturalizados e com não tantas raízes alemãs, como Podolski, Klose e Asamoah, mas pudemos ver coisas interessantes, tais como:

- O mulato David Odonkor, filho de pai ganês a mãe alemã

- Oliver Neuville. OK, ele nasceu na Suíça por um acaso, mas seu pai é alemão, mas filho de um belga de sobrenome francês

- Kevin Kuranyi, brasileiro, filho de pai alemão (mas descendente de húngaros) e mãe panamenha

- Borowksi. Aliás, se é algo que me surpreende é que conheço gente de origem alemã com sobrenomes poloneses...

E agora, com as eliminatórias da Euro-2008, temos Don Mario Gomez García, cujo nome esconde o fato de ser filho de uma tal de Christel e nascido em Riedlingen. E, claro, na via oposta, provavelmente nenhum alemão se importava com a família da mãe de Heinz-Harald Frentzen ser da terra de Cervantes. Importava que ele fizesse bonito na pista de corrida...

Provavelmente alemães que torcem o nariz para os descendentes de tunisianos terão de olhar com mais atenção para Sami Khedira...

E vale lembrar que a boa recepção geral a esses novos alemães é fenômeno recente. Quando de minha adolescência, era um dos que assistia a jogos da Bundesliga pela TV Cultura. E eles falavam do problema que Herr Maurizio Gaudino sofria na Alemanha reunificada. Problema grave, de preconceito mesmo, de nego dizer que ele não é, não era nem nunca foi alemão. Porém, e surpreendentemente, na época do pré-Segunda Guerra, e já no começo do nazismo no poder, aquela população baratinada por lavagem cerebral idolatrava um certo Rudolf Caracciola, que guiava uma flecha de prata da Mercedes. E por que não olhavam para o RG dele? Tudo bem que naqueles tempos, Hitler e Mussolini se conversavam, mas mesmo assim eram tempos de uma Europa muito mais bairrista que hoje...

Tenho o causo de a que ponto chega essa surpresa do pessoal com certos alemães sem o fenótipo clássico. Tenho uma amiga alemã (essa com o fenótipo clássico), cuja melhor amiga na Alemanha é uma garota filha de tunisianos. Essa minha amiga alemã de fenótipo clássico é fluentíssima em português, chegando até mesmo a saber gíria de periferia paulistana e dar tiradas bem-humoradas no idioma de Camões. Pois bem, eis que elas vieram para cá e foram para a Bahia. E qual não foi o problema para a filha de tunisianos para explicar que ela não sabe chongas de português? Sim, porque alguém de fenótipo tunisiano na boa terra passa sossegadamente batido pelas ruas de Salvador. Porém, alguém de fenótipo germânico, nem a pau. E toca transeuntes da terra de Caymmi irem perguntar onde fica determinada rua para a moreninha. E toca a branquela de olhos azuis e cabelos castanhos médios falar em português que a amiga só sabe falar "oi" e olhe lá...

Anônimo disse...

E aqui saiu uma reportagem, que cada vez vai ter mais estrangeiro... pois a polução alemã está envelhecendo muito! Eles precisam de gente mais jovem... e mais filhos!!!!